Como controlar as principais lagartas da cultura da soja

A cultura da soja está sujeita a diversos ataques de pragas em todas as suas fases. Para saber como proteger a lavoura é essencial que o produtor tome medidas preventivas e realize todas as técnicas de manejo adequadas.

O monitoramento é essencial para que a lavoura fique protegida. Para ajudar a identificar e realizar o manejo das principais lagartas da soja, veja abaixo quais são as principais lagartas que atacam a cultura da soja e quais as principais características de cada uma delas.

 

Lagarta falsa-medideira

(Chrysodeixis includens e Rechiplusia nu)

A falsa-medideira é uma das principais lagartas desfolhadoras da cultura da soja. Esta espécie é conhecida como falsa medideira por possuir apenas três pares de falsas pernas, fazendo com que a locomoção seja como se estivesse medindo palmo. O ataque também ocorre em outras culturas, como feijão, gergelim, tomate e trigo.

O adulto possui asa acinzentada, com estigma e mácula prateados, contornados de marrom escuro brilhante. Nota-se ainda que a parte basal da asa é mais clara. Os ovos são colocados isoladamente na superfície das folhas e apresentam coloração verde. As lagartas são verdes, com uma linha dorsal de coloração branca. Apresentam seis ínstares e possuem processos internos na mandíbula, característica que os distingui da lagarta Trichoplusia ni. A pupa é marrom-esverdeada e encontra-se nas folhas enroladas, presa por fios de seda. O ciclo biológico dura em média 25 dias.

As lagartas atacam as folhas, raspando-as enquanto são pequenas, ocasionando pequenas manchas claras; à medida que crescem, ficam vorazes e destroem completamente as folhas, podendo danificar até as hastes mais finas.

O controle químico desta lagarta quando ocorrendo só ou associada à lagarta-da-soja, deve ser feito quando forem encontradas, em média 40 lagartas grandes por pano de batida, ou se a desfolha atingir 30% até o final do florescimento, ou 15%, tão logo apareçam as primeiras flores. Recomenda-se o uso de produtos registrados para a cultura.

 

Lagarta da soja

(Anticarsia gemmatalis)

A Lagarta da soja é o desfolhador mais comum na cultura da soja, é fácil reconhecer a praga, ela apresenta coloração verde, com estrias brancas na parte superior. Em situações de escassez de alimento ou em grande população de pragas, a coloração se torna mais escura.

Sua ocorrência é maior entre novembro e março, e seu pico populacional dá-se em janeiro e fevereiro, conforme a região. O seu ciclo biológico total é de 33 a 34 dias e podem ocorrer quatro a seis gerações anuais. O adulto faz sua postura à tardinha e à noite na parte inferior das folhas e tem coloração verde-clara. A desfolha causada pela lagarta-da-soja pode chegar a 100% se não controlada a tempo.

As lagartas da soja devem ser controladas quando forem encontradas, me média, 40 lagartas grandes (>1,5 cm) por pano-de-batida (duas fileiras de plantas), ou com menor número se a desfolha atingir 30%, antes da floração, e 15% tão logo apareçam as primeiras flores. Para controle com Baculovírus, considerar como limites máximos 40 lagartas pequenas (no fio) ou 30 lagartas pequenas e 10 lagartas grandes por pano-de-batida. Em condição de seca prolongada e com plantas menores de 50 cm de altura, reduzir esses níveis para a metade, para aplicação de Baculovírus anticarsia.

 

Broca das axilas

(Epinotia aporema)

É uma importante praga, pois, através do desfolhamento e das galerias abertas, compromete o desenvolvimento normal da planta.

Inicialmente as lagartinhas atacam as folhas das extremidades, reunindo-as com fios de seda.  Os maiores prejuízos resultam do ataque às hastes das plantas, onde abrem uma galeria e penetram no caule ou pecíolo. A lagarta penetra pelo caule através das axilas dos brotos terminais na base do pecíolo, antes que estes se desenvolvam totalmente. Alimentam-se da parte interna dos folíolos e dos caules. Isso leva à morte ou deformação dos órgãos atacados.

O controle químico só deverá ser efetuado quando as pragas atingirem o nível de dano econômico.

 

Lagarta-das-maçãs

(Heliothis virescens)

A coloração dessa lagarta pode variar de creme, verde, amarelada, parda ou rósea com pitadas escuras pelo corpo. Em sua fase inicial, essa praga fica escondida nas flores e vagens, o que dificulta o seu monitoramento.

A lagarta-das-maçãs, sempre teve maior importância econômica para a cultura do algodão, contudo, também ataca a lavoura de soja, sendo que o ataque ocorre geralmente nas fases finais do desenvolvimento da cultura, causando danos à flores, vagens e grãos. Além dos danos diretos, proporciona também a entrada de patógenos, diminuindo o número de vagens e grãos viáveis. Esta praga pode ser um problema nas áreas de plantio de algodão-soja, recomendando-se a eliminação de possíveis insetos antes do plantio.

O período de maior ataque da praga ocorre entre 70 e 120 dias de idade da planta, e a mariposa oviposita mais na fase de lua nova, quando as noites são mais escuras.

O nível de controle é variável: no início da floração, a planta pode suportar até 25% de botões florais danificados. Após o aparecimento das primeiras maçãs, o nível de controle deve ser reduzido para 10% de plantas com lagarta.

 

Helicoverpa armigera

Essa lagarta é uma das principais pragas polífagas das culturas do mundo e exótica para o Brasil. Ataca diversas culturas, mas no Brasil principalmente soja, milho e algodão. Muito semelhante a H. zeae, a H. armigera pode ser diferenciada por pelos brancos na parte frontal, pintas no formato de cela na parte superior após as patas e tegumento levemente coriáceo. Sua tonalidade pode variar do amarelo opaco, verde, verde escuro, e negra.

As vias de ingresso da Helicoverpa armigera nas plantas são a parte aérea (flor, folha, gemas, fruto/vagem, estruturas reprodutivas e pontos de crescimento). Os estágios imaturos alimentam-se em todos os estágios de desenvolvimento da planta, danificando todas as estruturas. As larvas atacam ramos, flores e cápsulas da semente.

Para controlar essa praga é necessário realizar o Manejo Integrado de Pragas, utilizar cultivares geneticamente modificadas expressando a toxina Bt, utilizar inseticidas biológicos e químicos, seletivos aos inimigos naturais.

 

Lagarta-elasmo
(Elasmopalpus lignosellus)

Essa praga tem grande capacidade de destruição em curto intervalo de tempo, sendo que seu aparecimento é esporádico e está associado a secas em períodos, que favorecem o intenso desenvolvimento populacional da praga. Maiores danos são observados em solos leves e bem drenados, sendo sua incidência menor sob plantio direto.

A praga ataca diversas culturas de importância econômica, como amendoim, arroz, aveia, cana-de-açúcar, centeio, feijão, milho, soja, trigo, entre outras.

As larvas atuam sobre o de crescimento das plantas, provocando murcha e a morte das folhas, mal conhecido como “coração morto”.

Em áreas com constantes infestações da praga deve-se proceder o tratamento das sementes com inseticidas sistêmicos. Em anos com seca, recomenda-se o uso de produtos com ação de contato e profundidade associado ao tratamento das sementes. Usar produtos registrados para as culturas.